Cultura e Politica: Sarapatel Nº 3, por Ismael Rielli

Sarapatel Nº 3

“Pela ponte lá da praia
Vieste cá me visitar;
Deus queira que a ponte caia
Quando quiseres voltar”.

(Bastos Tigre)

Nossas Ruas Rebatizadas

Foi no ano da graça do nosso senhor Jesus Cristo de 1964.

Estava aberta a estação da “Cassa”. A redentora de triste memória – 21 anos de escuridão – 1964 – 1985 cassava a torto e a direito.

Águas de Lindóia, que já tinha cassado Thermas de Lindóia (muito mais bonito, muito mais pomposo) cassou muita gente: Roberto Kutchat, Zéquinha de Abreu, José Augusto Boucault, Getúlio Vargas,

Até Duque de Caxias tiveram a petulância de cassar em plena ditadura militar.

Nossas ruas foram rebatizadas com nomes dos estados e de alguns países, especialmente os vizinhos sul americanos.

Ganha uma passagem, só de ida para Cabul, quem responder, sem consulta, onde ficam as ruas Alemanha, Uruguai, Bolivia, Paraná, França, Pernambuco, Goiás, Piauí, Equador, Guatemala.

Nesse batismo coletivo houve falhas. Algumas gritantes. Por preconceito ou por lamentável esquecimento, por incúria, não contemplaram a Bahia, mas incluíram Fernando de Noronha que não é estado, já que pertence a Pernambuco. Naquele então não existiam ainda Tocantins nem Mato Grosso do Sul. Roraima também não aparece. Guanabara, que não é mais estado, naquela época era e foi contemplada.

Faltou lógica para esse batismaço. Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão próximos é verdade, mas Paraná não se sabe se existe e onde fica.

Uma mixórdia na mistura de países e estados. Paraguai, por exemplo, nasce no Maranhão, atravessa Sergipe e acaba na ONU.

Portugal e Itália estão espremidos entre Rio de Janeiro, Mato Grosso e Guanabara. Chile que é uma tripa, uma linguiça longa, aqui é curtinho e fica perto da Colômbia. Mas Bolívia e Uruguai distantes. Israel fica perto da Colômbia e da Grécia.

Amazonas é lindeira de Alagoas do Rio e da Guanabara.

Merecidamente, Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro estão bem aquinhoados. Estranho o destaque que se deu ao desimportante Acre, um pequeno território que compramos à Bolívia.

Brasília, que explodiu no governo Luiz Barbosa, representa a expansão da estância.

Rio Grande do Norte não fica longe do Rio Grande do Sul.

Estados contemplados: todos inclusive o Distrito Federal, tirante a Bahia – esquecimento lamentável – e os ainda inexistente à época: Tocantins e Mato Grosso do Sul. Ficou fora também Roraima assim como sua vizinha Venezuela.

Países contemplados: Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, França, Guatemala, Grécia, Israel, Itália, Paraguai, Portugal, Uruguai.

Por que Guatemala, uma reúbliqueta bananeira e não a petrolífera Venezuela, de antes dos devastadores Hugo Chavez e Maduro, que não cai?

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Maldigo quem te acha feia
Quem não te acha bela, também,
Quero mal a quem te odeia
E odeio a quem te quer bem.

(Bastos Tigre)

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Bairros antigo de Água Quente, e Thermas de Lindóia.

– Pereiras (Jabuticabal) pertencia a Socorro
– Abacateiral do Nini (Casas Populares) era de Socorro
– Satirada (depois de Pedra Amarela) era de Socorro
– Vargedo (Cabrita)
– Coitos (depois do Brejal) pertence a Itapira.
– Vila Cambota Rua Goiás e, jocosamente, a parte alta da Rio de Grande do Sul.
– Caroli – Estádio Municipal, Carecão e adjacências
– Vila Seca (Rua Fernando de Noronha) demorou pra agua chegar lá.
– Vendão do Achiles, bem em frenteà HD na Rio de Janeiro. Hoje jardim – não havia a rua de baixo.
– Olaria – Balão e adjacências no centro
– Vila Neusa e Vila Aristides – atual Vila Maciel.
– Locomóvel (APAE)
– Rua Santo Antônio (Hotel Majestic)
– Vila Roberto do Roberto kutchat em frente ao SAAE com a casa de sapé da “Alemoa” Matilde ao fundo.
– Nova Brasília – Ruas Brasília, Paraíba e cercanias.
– Britadeira – faixa entre a Rio de Janeiro e a Acre – ali havia e ainda há uma pedreira e uma britadeira. Anexas algumas casas, morada de muita gente.

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Duas mulheres conversam no cabeleireiro:
– Estou tendo de tomar o maior cuidado para não engravidar de novo.
– Ué! – Seu marido não fez vasectomia?
– Por isso mesmo.

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Becky korich, que em outubro de 2018, teclou e confirmou o “maledeto” 17, termina assim o seu Mea Culpa: “Sou hoje coautora de crimes dolosos, por ter sido autora de um crime culposo em 2018. Carrego essa mácula. Perdoem – me, porque eu ainda não consegui me perdoar”.

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O mar não está pra peixe.

Embora se note uma pálida melhora, O Brasil exibe ainda números escandalosos de desempregados. São quase 15 milhões e mais 6 milhões de DESALENTADOS – Uma categoria nova. São aqueles que, depois de muito perambular entregando currículos, desistiram, desanimaram.

* Ismael Rielli, Águas de Lindoia. É professor aposentado, jornalista, escritor e ex-vereador. Tem atualmente um ponto de cultura no Sebo do Ismael, em Águas de Lindoia. * colaboração de Rodrigo Martins na revisão de Sarapatel Nº 3

Além de Sarapatel Nº 3, leia também:

https://www.tribunadasaguas.com.br/2021/05/23/cultura-e-politica-sarapatel-no-02-por-ismael-rielli/